Análise: Super Platformer Gun (PC) é uma jornada confusa, mas desafiadora

Davi Sousa
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Sempre há espaço para inovar em jogos de plataforma. Misturar o gênero com outras categorias pode resultar em experiências únicas sob certos aspectos. Um bom híbrido consegue fugir do objetivo convencional, que no caso é simplesmente atravessar fases até chegar em um chefão. Super Platformer Gun, desenvolvido e publicado pela brasileira Expresso Studios, segue por esse caminho ao incluir elementos de puzzle e estratégia na sua complicada história, em uma aposta que se mostra, em parte, acertada.

Vamos fugir deste lugar, baby

Super Platformer Gun Gameplay

Korokoro é uma jovem presa em um universo cibernético localizado dentro da sua própria mente, sem memórias de como foi parar lá. Para recuperá-las, descobrir o que aconteceu e escapar dessa prisão, ela precisa passar por inimigos e resolver desafios de lógica e destreza. A única ferramenta à sua disposição é a titular arma de plataformas, que dispara blocos sólidos e nuvens macias.

Confesso que só descobri a premissa de Super Platformer Gun através de fontes como as páginas do jogo na Steam e no Indie DB, já que a gameplay em si não dá ao jogador nenhuma explicação clara, como uma cutscene narrativa, sobre o que está acontecendo. No fim das contas, a história pouco importa, sendo facilmente ignorada para focarmos em achar um meio de passar pelas mais de 120 fases disponíveis.

Falhas na Matrix 16-bit

Antes mesmo de começar a aventura, já existe um problema na forma da interface pobre e confusa do jogo. O menu inicial não tem uma aba de opções para regular aspectos como áudio e tamanho da tela. Não podemos, por exemplo, desligar a música, que apesar de bem encaixada com a estética futurística e pixelada dos cenários, não demora a ficar enjoativa.

A falta de informações claras e a simplicidade geral de Super Platformer Gun dificultam no aprendizado inicial de funções como salvar o progresso, o que é feito através de checkpoints em forma de disquete encontrados em certas fases. A intuitividade é quase inexistente, deixando a cargo do jogador lidar com questões que poderiam ser facilmente solucionadas com a inclusão de um tutorial.

Super Platformer Gun Gameplay 2

Raciocinando com a cabeça (e os pés) nas nuvens

Dificuldades de interface à parte, Super Platformer Gun se mostra bastante competente nos pontos que compõem a sua jogabilidade. Chegar ao portal que te leva adiante requer uma combinação cada vez mais eficiente de habilidade, raciocínio e gerenciamento de recursos.

Entender particularidades como o momento certo de usar cada unidade da limitada munição da arma, e quando disparar blocos ou nuvens, é a base para saber o que fazer em cada fase. Paralelamente, execução é um ponto-chave igualmente importante, já que não adianta saber o que fazer se não conseguimos acertar o timing dos pulos nas nuvens.

Em relação às nuvens, temos um dos maiores problemas de Super Platformer Gun. A hitbox das plataformas móveis é extremamente inconsistente, exigindo uma precisão que muitas vezes não é suficiente e faz com que falhemos em acertar pulos cruciais com frequência, deixando o jogo frustrante em determinados momentos.

Super Platformer Gun Gameplay 3

O modo Assistência elimina a necessidade de ter essa precisão ao fazer Korokoro acertar os pulos automaticamente, mas essa opção torna o jogo muito fácil. Ficamos entre a irregularidade da hitbox padrão das nuvens e a facilidade excessiva de não precisar se preocupar com uma das principais mecânicas de todo jogo de plataforma: precisão.

Bom, não tão bonito e barato

Dificuldade e estratégia andam de mãos dadas em Super Platformer Gun. Conforme vamos avançando, o jogo vai exigindo mais esforço, tanto mental quanto de coordenação motora. Certas fases podem ser frustrantes, mas superar um obstáculo que nos fez ficar presos por muito tempo é o tipo de conquista imensamente satisfatória que buscamos tanto em puzzles quanto em jogos de plataforma.

O gerenciamento de recursos é outro fator que contribui bastante para o aproveitamento das horas de jogo. Ficar a poucos passos de chegar ao portal para a próxima sala por causa de uma plataforma mal disparada é apenas um de vários deslizes que instigam o jogador a apertar o botão de reiniciar e tentar novamente.

O modesto preço de R$ 9,99 na Steam já é suficiente para dar a Super Platformer Gun um excelente custo/benefício mesmo que você não passe por todas as fases que o jogo oferece. Deixo apenas as ressalvas da interface pouco intuitiva, da hitbox das nuvens e da trilha sonora repetitiva e com pouca variedade, sendo esta última um problema visto com frequência em jogos indie de baixo orçamento.

Análise feita com cópia digital cedida pela Expresso Studios

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